6 de outubro de 2013

Zebu, a chegada

Exemplar de uma fêmea da raça Nelore
Sua chegada ao Brasil[i]

O zebu chegou por acaso ao Brasil no século XIX. Arribou à Bahia, acossado por tempestade, um barco a vela que transportava alguns exemplares desse gado para Londres - presente de um potentado da Índia a sua Majestade Britânica. Os bois estavam magros, abatidos. Ficaram. O barco seguiu escoteiro. Muito mais tarde é que a importação se fez direta para o Brasil. O 'nelore' se aperfeiçoou sobretudo no Estado do Rio, graças a Pedro Nunes e a outros criadores. Nelore é nome de uma província da Índia. Não existem, lá, bois nelores, nem gir, nem guzerá... Hoje o melhor gado zebu - melhor rebanho do brasil - é de São Paulo. Mas Uberaba deve considerar-se, conforme diz Jango, a legítima capital brasileira do bos indicus. Num livro delicioso, que é romance e não é, escreve o incomparável Nelson Palma Travassos: 'o gado zebu surgiu inicialmente na Bahia, em Pernambuco e no Estado do Rio. Mas foi o mineiro de Uberaba que o transformou em grande negócio. E, através de um plano econômico, o impôs ao Brasil, salvando a pecuária nacional. Foi admirável a diplomacia dos uberabenses, como admirável também foi a planificação da campanha zebuística. Leva-nos até a acreditar na inteligência de um comando único, na argúcia de um gênio militar atrás de todo aquele movimento, feito, entretanto, por acordo tácito entre aqueles homens sagazes’.




[i] Fonseca, Gondin da: Os gorilas o povo e a reforma agrária, manifesto dos bispos do Brasil. São Paulo – SP: Editora Fulgor. 1963

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